Pesquisa do Sindicato da Micro e
Pequena Indústria de SP aponta que 46% dos empresários tiveram dificuldades de
crédito no ano passado
A justificativa do banco é
que ele não tem garantias suficientes. Bernardo faz parte do grupo cada vez
maior de micros e pequenos empresários que enfrenta dificuldade de acesso a
crédito. Pesquisa realizada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São
Paulo (Simpi) aponta que 46% dos empresários pesquisados tiveram dificuldade de
crédito em abril do ano passado, maior índice registrado desde o início da apuração, em
outubro de 2013.
A dificuldade é sentida principalmente por aqueles que recorrem às
linhas de crédito pessoa jurídica (PJ), contratadas por apenas 37%. Já o volume
de industriais que recorrem a empréstimo para pessoa física, com o intuito de
aplicar em sua empresa atingiu a marca de 40%. A pesquisa apontou
também que 15% dos entrevistados utilizam o cheque especial como recurso de
capital de giro ou forma de honrar compromissos.
Economista da Serasa Experian, Luiz Rabi confirma que
houve desaceleração na oferta de crédito pelos grandes bancos aos pequenos e
médios empresários no primeiro trimestre deste ano. Bradesco, Itaú-Unibanco,
Santander e Banco do Brasil reduziram sua carteira de crédito de 44% no
primeiro trimestre do ano passado, para 41% agora. “Isso comprova que os bancos
adotaram sim uma tendência de diminuir a oferta para PMEs. Os bancos adotaram
procedimentos mais rigorosos na análise de crédito, daí a dificuldade de
acesso”, explica.
A explicação para esse endurecimento é simples:
inadimplência. De acordo com dados da Serasa Experian, em 2011 houve um
crescimento de 19% na negativação entre pessoas jurídicas. No ano seguinte,
houve novo aumento, de 10%. “Por conta disso, desde 2013 os bancos se tornaram
mais seletivos, o que resultou numa queda significativa da inadimplência: alta
de apenas 2,4% no ano passado”, diz Rabi. “A maior parte dessa desaceleração se
deve ao fato dos bancos terem se tornado mais cautelosos e rigorosos na
concessão. Afinal, 90% da negativação de PJ é de micro e pequenas empresas”,
afirma Rabi.
Como o banco é a única forma de acesso a crédito para
esses empresários, eles acabam migrando para a conta de pessoa física, dado
confirmado pela pesquisa do Simpi-SP: em novembro, 15% dos empresários
recorreram ao cheque especial como forma de crédito. “O que preocupa é que o
maior rigor dos bancos para empréstimo de pessoa jurídica faz aumentar o
porcentual de empresários que recorrem ao cheque especial. Em maio do ano
passado eram 9%. Ou seja, em menos de um ano houve um salto de seis pontos”,
diz o presidente do Simpi-SP, Joseph Couri.

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