Trabalhar
vira uma tortura e não é porque você odeia o que faz. Muita gente sofre calada
com chefes ou colegas que perseguem, desrespeitam... Isso tem nome: assédio
moral. E o pior é que normalmente vem de um superior, ''protegido'' por seu poder.
Essa
situação costuma durar bastante, até o subordinado desistir do emprego.
Em nenhum cargo você encontrará na lista de deveres a prática
do assédio moral, mas há quem pratique como sendo uma das atribuições inerentes
a ele.
Se você sofre com isso ou é testemunha de cenas dessa
natureza, supere o se medo e denuncie. Seu medo só fortalece o agressor e não o
agredido. E lembre-se, o próximo pode ser você.
E o que é assédio moral no trabalho?
É
a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações
humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a
jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em
relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas
negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou
mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da
vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a
desistir do emprego.
Caracteriza-se
pela degradação deliberada das condições de trabalho em que
prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus
subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos
práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é
isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada,
inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo
do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associados ao estímulo
constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, frequentemente,
reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho,
instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo,
enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando,
’perdendo’ sua autoestima.
Em
resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este pressupõe:
1.
Repetição sistemática
2.
Intencionalidade (forçar o outro a
abrir mão do emprego)
3.
Direcionamento (uma pessoa do grupo é
escolhida como bode expiatório)
4.
Temporalidade (durante a jornada, por
dias e meses)
5.
Degradação deliberada das condições de
trabalho
Entretanto,
quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por
constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental,
não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses
atos.
O
desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador:
’autônomo, flexível’, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e
empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que
procura a excelência e saúde perfeita. Estar “apto” significa responsabilizar
os trabalhadores pela formação/qualificação e culpá-los pelo desemprego,
aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos
trabalhadores um sofrimento perverso.
A
humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e
trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações
afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que
podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte,
constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações
e condições de trabalho.
A
violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional segundo
levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com
diversos países desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde
mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia,
Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias
para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da
Saúde, estas serão as décadas do ‘mal estar na globalização, onde predominará
depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas
políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as
políticas neoliberais.
SE OUVIR UMA DESSAS FRASES, FIQUE
ALERTA
. ''Ainda não terminou?
Uma criança já teria feito''
. ''Esse trabalho é muito para você, melhor desistir.''
. ''Se não quer trabalhar tem um monte de gente querendo!''
. ''Ou trabalha ou cuida do filho!''
. ''Só vai ao médico. Trabalhar que é bom, nada!''
. ''Assim vou lhe transferir.''
. ''Como você não consegue fazer algo tão simples?''
. ''Esse trabalho é muito para você, melhor desistir.''
. ''Se não quer trabalhar tem um monte de gente querendo!''
. ''Ou trabalha ou cuida do filho!''
. ''Só vai ao médico. Trabalhar que é bom, nada!''
. ''Assim vou lhe transferir.''
. ''Como você não consegue fazer algo tão simples?''

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